terça-feira, 28 de junho de 2011

A Guerra através de outros olhos

A Guerra Civil Espanhola serviu de inspiração para artistas e autores.
Cada um deles deixou transparecer sua visão crítica a respeito da Guerra em suas obras, fossem elas escritas ou visuais.


Guerra lá, discussão cá. .

Depois de "abafado" o movimento comunista , o exemplo espanhol serviria para o governo brasileiro reforçar suas teses autoritárias, evitando que ocorressem no Brasil os ‘desastres da Guerra Espanhola’. Com um posicionamento tão claro do governo central e com o controle de imprensa, restaria aos brasileiros apenas formas alternativas de participar dessa discussão. Por esse fato, entre os pontos mais fortes do debate sobre o envolvimento do Brasil na Guerra Civil Espanhola, está o posicionamento dos jornalistas, artistas e escritores. A poesia foi o gênero preferido dos artistas que se manifestaram a favor da Espanha republicana. Logicamente, o espaço da oposição se fazia mais importante, porque significava um duplo protesto: protesto contra a ditadura brasileira e oposição ao fascismo. Várias obras e atitudes de escritores, de uma ou de outra maneira, trouxeram a Espanha ao conhecimento público. Num ambiente de censura, logicamente, estas "notícias" não foram óbvias nem sem camuflagens. Também não surgiram imediatamente nem sem contornos. Manuel Bandeira foi o escritor que mais se destacou pela influência política que exercia sobre os jovens. Em sua poesia havia referências ousadas em favor da Espanha republicana. Vale salientar que a Guerra Civil Espanhola serviu como metáfora para a provocação do grande debate nacional em torno da democracia brasileira.

Esquerda, direita, esquerda, direita. Marche!

O governo começa a ter instabilidade quando há o aumento da luta de classes, gerando assassinatos políticos em série.

Os direitistas, observando as maravilhas que o nazismo levava à Alemanha e ao golpe da direita na Áustria em 1934. Isso os fez tomar a atitude de aliar com os militares e obterem apoio dos movimentos nazifascistas de fora, como Portugal e Itália.

Decidem, em 18 de julho de 1936, liderado por General Francisco Franco, levarem o exército para derrubarem a república. Como impedimento, milícias foram formadas em forma de resistência.


General Franco. Qualquer semelhança com Hitler é mera face da não-oposição.

Como em disputa de posse de terras, o país se dividiu em dois, onde cada um, com sua política, mantem sua terra. Além dos assassinatos em massa, fuzilamento contra a educação não-dirigida – com os militares – e fuzilamento contra aos donos de posse – com os de esquerda.

Assim, como uma guerra civil, o lado de esquerda obteve apoio bélico de Stalin e o lado de direita obteve apoio dos nazistas.


Milícia formada em defesa da República.

Os países considerados como neutros (no caso de Inglaterra e França), acabaram abrigando defensores da República nas Brigadas Internacionais.

A esquerda torna-se fraca com a divisão interna entre os apoiadores da revolução e os apoiadores da república. Segundo Stalin, era de se temer a possibilidade da república enfraquecer-se ou sofrer grande transformação devido à intensa guerra civil.

Stalin, apoiador das milícias anarquistas e comunistas.

É passada a hora de se igualar aos vizinhos



Já era 1936, ano em que o nazismo na Alemanha e o fascismo na Itália estavam “bombando”, e a Espanha estava atrasada em relação aos outros países da Europa. Afinal, sua própria industrialização era tardia, além de que, enquanto a Europa ocidental já possuía instituições políticas modernas, a Espanha era um oásis tradicionalista, governada pela "trindade reacionária"(O Exército, a igreja católica e o Latifúndio).

Claro, falando do início século XX, temos que lembrar da crise de 1929 nos Estados Unidos que, além dos vários países afetados, deixou marcas também na Espanha. Isso porque, a monarquia instalada no país, reinada por Afonso XIII, foi derrubada. O rei foi obrigado a exilar-se e, em 1931 foi proclamada a república, chamada de "República de trabajadores". Com toda essa confusão, se instalou uma crise no país, seguida por uma profunda depressão econômica, provocando a frustação generalizada na sociedade espanhola.

Com a crise, na década de 30, muitos artistas iam para os Estados Unidos, para aí desenvolverem a sua carreira. Por exemplo, Charles Chaplin obteve sucesso com "Luzes da Cidade"(1931).

Expressando as dificuldades desta década, centram-se as imagens que mostram a pobreza, o esforço e as injustiças sociais e raciais, transmitindo um protesto através de cenas sarcásticas do heroísmo da "classe operária".

A foto acima, chamada "Migrant Mother" (1936) tornou-se um ícone da Grande Depressão, representando os que mais sofreram durante este período: as mulheres e as crianças.

Os partidos esquerdistas da Espanha resolveram se unir aos democratas e liberais radicais num Fronte Popular para ascender ao poder por meio de eleições. A coligação esquerdista venceu as eleições de fevereiro de 1936. Aqueles políticos que eram de direita no país estavam divididos no CEDA (Confederação das Direitas autônomas), no partido agrário, nos monarquistas e tradicionalistas e, finalmente, pelos fascistas da Falange espanhola (liderados por José Antônio).

A partir daí, começou a ter uma turbulência interna entre anarquistas e falangistas, o que gerou a dita “Guerra Civil Espanhola”.


Em resumo... A Guerra


A Guerra Civil Espanhola foi o acontecimento mais traumático antecedente à 2ª Guerra Mundial. Teve início após um pronunciamento do militares rebeldes, entre 17 e 18 de julho de 1936 e terminou no dia 1º de abril de 1939, com a vitória dos rebeldes e a instauração de um regime ditatorial de caráter fascista, liderado pelo general Francisco Franco. Nessa Guerra estiveram presentes todos os elementos militares e ideológicos que marcaram o século XX.